Um esporte para chamar de meu

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Que tal tentar o badminton? Foto: bbc.co.uk

Cada macaco no seu galho, já dizia o ditado. Quantas vezes, naquela aula de Educação Física ou naquela sessão de exercicios da academia, você teve que fazer uma atividade que não lhe agradava nem um pouco? Em compensação, que alegria quando começava o jogo que você mais gostava, não é?

Posso dizer isso do pouco tempo em que treinei futebol. Era muito chato ter de correr em volta da quadra para aquecer. E a professora não dava trégua, tinha que correr, e eu queria jogar bola logo!

Todo mundo tem um esporte que traz prazer ou no mínimo simpatia. Como mostramos aqui anteriormente, Vandré Moraes praticou os mais diversos esportes até encontrar o seu preferido, a natação. Para o nosso amigo Ricardo Cobra, o golfe lhe caiu como uma luva, depois de ter experimentado basquete, vôlei, handebol, tênis, tiro, entre outros.

A realidade é que muitas vezes um esporte combina conosco apenas em um período das nossas vidas. Segundo matéria da revista Vida Simples de setembro de 2009, 50% das pessoas que se inscreveram num curso de alguma atividade física vão acabar desistindo nos seis primeiros meses. Praticar o esporte perto de casa ou do trabalho, ter um amigo que acompanhe, é ótimo para aumentar a frequência dos alunos. Mas o que mantém alguém numa atividade é a coerência com a personalidade do indivíduo que a pratica. “Quando uma pessoa resolve se enquadrar num exercício no qual não sente satisfação, dificilmente conseguirá aderir e a chance de parar é altíssima”, diz a psicóloga esportiva Carla de Pierro para a revista. Assim, momentos diferentes pedem esportes diferentes. E não digo que se deve praticar “o esporte do momento”, como aquelas aulas novas da academia que um artista de TV diz que é fenomenal para manter a forma. E sim, que cada momento que o indivíduo passa na vida necessita de uma atividade adequada e que traga o equilíbrio necessário para enfrentar sua rotina.

Assim, quem está vivendo momentos tensos na vida pode procurar esportes como a corrida ou a caminhada. Quem se sente sozinho pode jogar futebol, basquete ou praticar dança de salão. Já quem busca disciplina e força interior pode muito bem tentar as artes marciais. Está grávida? Alongamentos e ioga podem ser um caminho.

Mas nem sempre temos tempo ou disposição para realizar uma busca pelo esporte perfeito. Às vezes não temos também dinheiro para sair nessa missão. Se um esporte nos encontra e nos abraça, é bom aproveitar e abraçá-lo de volta. A nossa grande atleta Aida dos Santos é um exemplo. O salto em altura apareceu “por acaso” na vida de Aida em 1958, quando ainda jogava vôlei em Niterói. Um dia, uma amiga que a levava de bicicleta para o treino no estádio Caio Martins e treinava atletismo, disse que a levaria de volta se ela participasse do treinamento. Para não perder a carona, Aida resolveu tentar o salto em altura. Conseguiu 1,45m, igualando o recorde brasileiro. Mesmo não tendo equipamentos nem treinador, e ainda levando surras do pai, Aida seguiu no atletismo e foi a única mulher a integrar a delegação brasileira nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 1964. Hoje ela ajuda crianças de baixa renda a encontrar um caminho no esporte por meio de sua Fundação Aida dos Santos.

Essa é a ideia também do projeto Rugby para Todos. Que o esporte chegue a comunidades carentes e mude a vida de suas crianças. Ouça aqui a Rádio Leva na Esportiva com Maurício Draghi e saiba mais detalhes desse projeto.

Com tempo ou não, com dinheiro ou não, o que não dá é pra ficar parado. Se fosse assim, teríamos nascido árvores, não é mesmo? E eu? Não achei ainda o esporte ideal para mim. Contudo, continuo caminhando durante a semana, o que me faz suar, pensar na vida e descobrir coisas novas. Arrumei uma companhia, minha mãe :D , para me inscrever numa academia. Escolhi uma de “circuito”, aquelas em que se faz muitos tipos de exercícios com poucas repetições. Vamos ver se combina. E você, já encontrou o esporte feito para você? Comente aqui e conte-nos a sua experiência!

Publicado em 9 outubro , 2009 por Juliana Garcia Sales

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Na escola só dá handebol!

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Lidiane Faria (sentada, ao meio) e seu time, 2000. Foto: acervo pessoal

Você sabia que o handebol é o esporte mais praticado nas escolas brasileiras? É um esporte que necessita de poucos recursos: uma quadra (nem sempre com medidas oficiais) com dois gols e uma bola – os mesmos requisitos para se jogar futsal. É um esporte com regras simples, rápido, divertido, e que desperta o interesse de meninas e meninos. Essas características tornam o handebol amplamente aceito e relativamente fácil de implantar em escolas públicas e particulares.

Até a década de 1960, o handebol era conhecido somente em São Paulo. Mas começou a se espalhar quando o professor francês Auguste Listello, em 1954, no Curso Internacional de Santos, mostrou o esporte a professores de outros estados. Assim, o Handebol foi introduzido em escolas por todo o país. Em 1971, o MEC (Ministério de Esporte e Cultura) incluiu o handebol entre as modalidades dos Jogos Estudantis e Jogos Universitários Brasileiros (JEBs e JUBs), devido à popularidade crescente nas escolas.

É na escola que pode nascer um talento ou um apaixonado pelo esporte, e assim, o Brasil, que ainda não é uma potência em handebol, vem crescendo na modalidade. E pra quem acha que o handebol é para as meninas, a seleção masculina vem obtendo ótimos resultados e já é bicampeã pan-americana (Santo Domingo 2003 e Rio de Janeiro 2007). É de times escolares que vem grande parte dos jogadores da seleção, garante o presidente da Confederação Brasileira de Handebol (CBHb) Manuel Luiz Oliveira.

Conversei com uma apaixonada por handebol, a relações públicas Lidiane Faria. Sim, o primeiro contato que ela teve com o handebol foi na escola, aos nove anos de idade. Mas, apesar de ter sido descoberta por uma professora aos 11 anos, aos 13 é que foi tentar a peneira da Escola de Handebol da Metodista. Não passou como jogadora de linha, mas foi persistente e entrou como goleira. Nessa época, jogou por três escolas diferentes, a que estudava em São Paulo, a Metodista em São Bernardo e o Colégio Arbos em Santo André, ufa!

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Lidiane Faria e o esporte da sua vida. Fotos: acervo pessoal

Lidiane considera que não é papel da escola tornar o aluno um apaixonado por esporte, mas incentivar a prática e mostrar que o esporte é um caminho profissional viável. “Dizem que o esporte é saúde, mas raramente passam disso, e nem sempre há o ensino teórico das regras”, declara Lidiane.

Porém, é preciso insistir no desenvolvimento pedagógico do esporte. Mesmo que não se torne um profissional, segundo Lidiane, o handebol traz ao estudante benefícios como o trabalho em equipe, respeito ao adversário, disciplina, coragem e persistência. “O handebol na idade escolar é bacana porque trabalha toda a musculatura da criança. E por ser um esporte com bastante contato, respeito ao adversário é fundamental”, afirma.

Por falar em crianças…

O mini-handebol

O mini-handebol é uma forma de mostrar a crianças os fundamentos do handebol, tirando o peso de regras mais avançadas e deixando de lado esquemas táticos. Essa maneira de jogar o handebol permite que escolas e comunidades com pouquíssimos recursos tenham acesso ao conhecimento da modalidade. Permite também a adaptação de regras conforme a faixa etária.

A CBHb leva o Projeto Petrobras Mini-Hand de Iniciação Esportiva a todo o Brasil com os objetivos de:

  • Promover o esporte a quem tem pouco acesso a lazer, e auxiliar escolas e comunidades mais carentes no fomento ao esporte;
  • Desenvolver a criança social, física e intelectualmente;
  • Manter o handebol como o esporte olímpico mais praticado nas escolas de todo o Brasil. ;)

Os campeonatos de mini-handebol podem se transformar em festivais, visto que o objetivo do mini-hand não é a competitividade, mas a socialização e integração das crianças. E aí, a imaginação é o limite. É possível criar eventos multidisciplinares, evocando várias matérias do currículo escolar, como línguas, geografia e ciências.

Mais um grande passo na popularização do handebol, que já tem lugar no coração de quem leva na esportiva.

Publicado em 23 setembro , 2009 por Juliana Garcia Sales

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Daniel Dias, o Phelps das Paraolimpíadas

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Daniel Dias e sua primeira medalha paraolímpica. Foto: Divulgação

Sabemos que o esporte brasileiro carece de mais incentivo, apoio governamental e privado. E que dirá o esporte paraolímpico, podemos pensar, que mal aparece nos noticiários esportivos?

Pois saiba que, mesmo com pouco apoio, o Brasil já tem um desempenho muito melhor em Paraolimpíadas que nas Olimpíadas tradicionais. Nas Paraolimpíadas de Pequim, em 2008, foram 47 medalhas para o Brasil (sendo 16 de ouro), já a delegação olímpica brasileira conquistou 15 medalhas.

Um atleta que colaborou com esses belos números foi Daniel Dias. Depois de mostrar a que veio no Parapan de 2007 no Rio de Janeiro, conquistou nove medalhas na natação em Pequim 2008 (quatro de ouro, quatro de prata, uma de bronze), mesmo número de Michael Phelps nos jogos tradicionais. Neste dia 7 de setembro de 2009, Daniel desfilou em Brasília comemorando um ano de seu primeiro ouro paraolímpico.

Mesmo tendo começado a nadar em 2005, Daniel já conseguiu chegar ao nível do recordista brasileiro Clodoaldo Silva, o “Tubarão Paraolímpico”, que conquistara sete medalhas nos Jogos Paraolímpicos de Atenas 2004 (seis de ouro).

Daniel Dias nasceu em 1988, com malformação congênita nos braços e na perna direita. Seus pais sempre se esforçaram para que Daniel fosse incluído pela sociedade, como alguém capaz e independente. Daniel sempre estudou em escolas comuns, onde sofreu muito preconceito. Seu pai, Paulo, resolveu levá-lo à ADD (Associação Desportiva para Deficientes), pensando nos benefícios físicos e psicológicos que o esporte traria ao filho.

Depois de aprender todos os estilos na ADD, Daniel passou a frequentar uma academia em Bragança Paulista (SP), cidade próxima a Camanducaia (MG), onde vivia. “Passei dois anos viajando todos os dias para treinar. Frequentava a escola de manhã. Depois, pegava o ônibus na rodoviária. A viagem durava uma hora e meia”, afirmou Daniel à revista Sentidos.

A recompensa pelo esforço veio em forma de vitórias, recordes e medalhas. Conseguiu índice para o Mundial da África do Sul em 2006, onde faturou 3 medalhas de ouro e 2 de prata. No mesmo ano, bateu o recorde mundial dos 200m, durante as disputas do Circuito Loterias Caixa. Nos Jogos Parapanamericanos do Rio, em 2007, veio a consagração: oito ouros em oito provas disputadas.

Em palestra para a Feira Guia do Estudante, Daniel declarou que sua maior conquista foi o prêmio de melhor atleta do mundo, em 2008, uma espécie de Oscar do esporte. “Eu fui o quarto esportista brasileiro a ganhar o prêmio e o primeiro atleta deficiente – os outros ganhadores foram os jogadores de futebol Pelé e Ronaldo e o skatista Bob Burnquist”.

Hoje, Daniel cursa a faculdade de Educação Física USF (Universidade São Francisco). Pretende, no futuro, cursar Engenharia Mecatrônica. Além disso, Daniel é baterista da banda da igreja a que frequenta.

Sobre apoio, Daniel diz que “hoje em dia as coisas estão mais fáceis, por causa dos meus patrocínios, mas antes era bem difícil, eu tinha apenas o apoio do meu pai, que pagava para eu treinar. Agora posso ficar mais tranquilo quanto a isso. O que dificulta mesmo é a falta de divulgação, que acontece mesmo só de quatro em quatro anos.”

Como vemos, Daniel é um exemplo de que os atletas paraolímpicos superam suas deficiências físicas e as deficiências de um sistema que pouco incentiva o atleta amador brasileiro. E é prova de que vale a pena colaborar e tentar mudar o país por meio do esporte.

Publicado em 21 setembro , 2009 por Juliana Garcia Sales

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Respira e vai!

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Publicado em 17 agosto , 2009 por Juliana Garcia Sales

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