Paraolímpicos brasileiros se preparam para mundiais

Lucas Prado

Lucas Prado, ouro nos 100m rasos em Pequim

Na segunda, 1 de fevereiro, as seleções de atletismo e natação paraolímpicas brasileiras iniciaram sua preparação para as competições mundiais. O mundial de natação será em agosto, na Holanda, e o de atletismo em janeiro de 2011, na Nova Zelândia.

Para os treinamentos, as seleções se reuniram em São Caetano do Sul (SP), na pista do CERV São José e na piscina do Conjunto Aquático Leonardo Sperate. “Esse primeiro encontro já é, na verdade, a continuidade do processo de avaliação física que fizemos em dezembro”, ressalta Ciro Winckler, coordenador técnico da seleção de atletismo. Antes das festas do fim do ano passado, os atletas fizeram uma série de avaliações.

“A seleção permanente já está se preparando para as Paraolimpíadas de 2012 (em Londres), na verdade”, explica Gustavo Abrantes, coordenador técnico do time da natação. O objetivo, segundo Gustavo, é conquistar em agosto, no Mundial da Holanda, um bom número de vagas para o Brasil nos Jogos de 2012. “Apesar da diminuição do número de vagas o Brasil tem conseguido aumentar o número de atletas nas Paraolimpíadas desde Sydney. É esse crescimento que a gente pretende confirmar neste mundial”, ressalta Gustavo.

Os 22 atletas convocados da seleção de atletismo treinarão em dois períodos, no CERV São José, em São Caetano: das 8h30 às 10h e das 15h30 às 18h. Eles serão divididos em três grupos, cada um com seu técnico: velocistas, fundistas e lançadores. Já na piscina os treinos serão das 8h às 11h e das 16h30 às 18h.

Projeto Ouro

O Projeto Ouro irá beneficiar atletas que são destaque em suas modalidades para que cheguem a Londres com toda a estrutura necessária para apresentar um alto desempenho, e, consequentemente, ter condições de faturar o ouro paraolímpico. O nadador Daniel Dias foi um dos selecionados.

Os atletas foram escolhidos após indicação de suas associações nacionais e de uma avaliação do departamento técnico do CPB (Comitê Paraolímpico Brasileiro) sobre suas reais chances nas competições. O CPB não vai repassar verba diretamente aos atletas.

“(Se o atleta) precisar de uma melhor estrutura física, de equipamentos melhores, assistência médica especializada, psicológica, viagens para competir com os melhores do mundo, receberá tudo. Menos dinheiro”, explica Edílson Alves Tubiba, diretor técnico do CPB.

“Com este programa, o CPB procura oferecer as melhores condições de preparação aos atletas com maior potencial de conquista de uma medalha”, explica Andrew Parsons, presidente do CPB. “A evolução do esporte paraolímpico no mundo inteiro faz com esse tipo de iniciativa seja necessária para que possamos avançar no quadro de medalhas”, destaca Parsons.

O Brasil foi o nono colocado nos Jogos Paraolímpicos de Pequim, com 47 medalhas, sendo 16 de ouro. Apesar de lutar contra potências esportivas, sabemos que o Brasil tem condições de melhorar seu desempenho geral – Assim se fazem importantes programas como esse.

Publicado em 10 fevereiro , 2010 por Juliana Garcia Sales

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Índios também levam na esportiva

jogosindigenas
Crédito das fotos: Rita Salgado

Em tempos de escolha do nosso Rio de Janeiro como cidade sede dos Jogos Olímpicos de 2016 iniciou-se no último dia 31 de outubro a 10ª edição dos Jogos dos Povos Indígenas. Criado em 1996, pelo então Ministro Extraordinário dos Esportes, os Jogos dos Povos indígenas é um exemplo de como levar a vida e uma disputa na esportiva.  Seguindo o que determina o Art. 217, inciso IV da Constituição Federal do Brasil, os jogos promovem o intercambio esportivo-cultural entre diferentes povos indígenas brasileiros, privilegiando sempre o aspecto lúdico da prática esportiva, resgatando as manifestações esportivas tradicionais indígenas. Para os jogos de 2010, 35 etnias participam da disputa, contra 25 que participaram da primeira edição em 1996, totalizando mais de 1.300 índios e são esperados mais de 50.000 expectadores na cidade de Paragominas (PA).

Entre as modalidades esportivas que serão disputadas, temos o Cabo de Guerra, Canoagem, Corrida com Tora, Xikunahity (fala-se Zikunariti – uma espécie de futebol que é disputado utilizando-se apenas a cabeça), Luta corporal, os esportes ligados aos hábitos de caça do índios como Atletismo, Natação, Arremesso de lança , Zarabatana e Arco e Flecha, além do futebol.

A importância do aspecto cultural do evento pode ser notada na “vila olímpica” que foi construída, totalizando 28 ocas e apelidada carinhosamente de Aldeia Olímpica. A construção e manutenção da vila foram de responsabilidade dos próprios indígenas.

A Abertura

A abertura dos jogos se deu na noite do dia 30 de outubro, após a Cerimônia de Acendimento do Fogo Ancestral Indígena e a primeira disputa foi uma partida de futebol entre as seleções de Paragominas e a Indígena.

As principais modalidades

Arco e Flecha

Da origem de guerras, quando o arco e flecha eram utilizados como arma de guerra, com o passar do tempo, passou a ser uma arma de caça, pesca e rituais.

Uma prova individual masculina, onde cada delegação indígena pode escrever no máximo 2 atletas. Cada um dos atletas terá direito a 3 tiros, utilizando seu próprio equipamento.

O alvo é um desenho de peixe, colocado a aproximadamente 30 metros da área de tiro.

Cabo de Guerra

A força física sempre foi um fator de reconhecimento entre os indígenas e a competição de cabo de guerra trás esse reconhecimento para a tribo vencedora e seus atletas.

Prova por equipe tanto masculina como feminina. Cada etnia terá 10 atletas e a competição é eliminatória.

Corrida com tora

Cada uma das etnias tem historicamente um ritual atrelado à corrida com toras. Porém algumas características são marcantes como a corrida de fora para dentro da aldeia para o povo Khraô ou a corrida de mais de 5 km dos Xavantes.

Para os jogos indígenas, foram observados aspectos de cada uma das tradições.

Os jogos acontecem de 31/10 a 7/11, no município de Paragominas (PA) – no Parque Ambiental da cidade.

Publicado em 6 novembro , 2009 por Luiz Ricardo Cobra

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Daniel Dias, o Phelps das Paraolimpíadas

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Daniel Dias e sua primeira medalha paraolímpica. Foto: Divulgação

Sabemos que o esporte brasileiro carece de mais incentivo, apoio governamental e privado. E que dirá o esporte paraolímpico, podemos pensar, que mal aparece nos noticiários esportivos?

Pois saiba que, mesmo com pouco apoio, o Brasil já tem um desempenho muito melhor em Paraolimpíadas que nas Olimpíadas tradicionais. Nas Paraolimpíadas de Pequim, em 2008, foram 47 medalhas para o Brasil (sendo 16 de ouro), já a delegação olímpica brasileira conquistou 15 medalhas.

Um atleta que colaborou com esses belos números foi Daniel Dias. Depois de mostrar a que veio no Parapan de 2007 no Rio de Janeiro, conquistou nove medalhas na natação em Pequim 2008 (quatro de ouro, quatro de prata, uma de bronze), mesmo número de Michael Phelps nos jogos tradicionais. Neste dia 7 de setembro de 2009, Daniel desfilou em Brasília comemorando um ano de seu primeiro ouro paraolímpico.

Mesmo tendo começado a nadar em 2005, Daniel já conseguiu chegar ao nível do recordista brasileiro Clodoaldo Silva, o “Tubarão Paraolímpico”, que conquistara sete medalhas nos Jogos Paraolímpicos de Atenas 2004 (seis de ouro).

Daniel Dias nasceu em 1988, com malformação congênita nos braços e na perna direita. Seus pais sempre se esforçaram para que Daniel fosse incluído pela sociedade, como alguém capaz e independente. Daniel sempre estudou em escolas comuns, onde sofreu muito preconceito. Seu pai, Paulo, resolveu levá-lo à ADD (Associação Desportiva para Deficientes), pensando nos benefícios físicos e psicológicos que o esporte traria ao filho.

Depois de aprender todos os estilos na ADD, Daniel passou a frequentar uma academia em Bragança Paulista (SP), cidade próxima a Camanducaia (MG), onde vivia. “Passei dois anos viajando todos os dias para treinar. Frequentava a escola de manhã. Depois, pegava o ônibus na rodoviária. A viagem durava uma hora e meia”, afirmou Daniel à revista Sentidos.

A recompensa pelo esforço veio em forma de vitórias, recordes e medalhas. Conseguiu índice para o Mundial da África do Sul em 2006, onde faturou 3 medalhas de ouro e 2 de prata. No mesmo ano, bateu o recorde mundial dos 200m, durante as disputas do Circuito Loterias Caixa. Nos Jogos Parapanamericanos do Rio, em 2007, veio a consagração: oito ouros em oito provas disputadas.

Em palestra para a Feira Guia do Estudante, Daniel declarou que sua maior conquista foi o prêmio de melhor atleta do mundo, em 2008, uma espécie de Oscar do esporte. “Eu fui o quarto esportista brasileiro a ganhar o prêmio e o primeiro atleta deficiente – os outros ganhadores foram os jogadores de futebol Pelé e Ronaldo e o skatista Bob Burnquist”.

Hoje, Daniel cursa a faculdade de Educação Física USF (Universidade São Francisco). Pretende, no futuro, cursar Engenharia Mecatrônica. Além disso, Daniel é baterista da banda da igreja a que frequenta.

Sobre apoio, Daniel diz que “hoje em dia as coisas estão mais fáceis, por causa dos meus patrocínios, mas antes era bem difícil, eu tinha apenas o apoio do meu pai, que pagava para eu treinar. Agora posso ficar mais tranquilo quanto a isso. O que dificulta mesmo é a falta de divulgação, que acontece mesmo só de quatro em quatro anos.”

Como vemos, Daniel é um exemplo de que os atletas paraolímpicos superam suas deficiências físicas e as deficiências de um sistema que pouco incentiva o atleta amador brasileiro. E é prova de que vale a pena colaborar e tentar mudar o país por meio do esporte.

Publicado em 21 setembro , 2009 por Juliana Garcia Sales

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Pentatlo Moderno: pronto para a guerra?

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Disputa de tiro do Pentatlo Moderno - Foto: Reuters

O Pentatlo Moderno é um esporte olímpico, e foi acompanhando as Olimpíadas que ouvi falar dele pela primeira vez. Porém, como já tinha visto o triatlo (natação, bicicleta e corrida) e o meu jogo favorito do Atari era o Decathlon (decatlo – dez provas de atletismo), logo imaginei que seriam cinco modalidades comuns e que eu poderia vê-las junto com as provas do atletismo. Assim, não dei tanta bola, e assisti ao atletismo sem me dar conta de que não rolaram as disputas de Pentatlo, ao menos não na mesma arena.

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O Decatlo do videogame

Até que eu vejo o pictograma do pentatlo: tem um desenho de cavalo! Ué! São cinco provas de hipismo?

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Pictograma do pentatlo moderno

Não é nada disso. Até porque há o sufixo -atlo na palavra, de onde podemos inferir que há alguma prova de atletismo. E também porque o pentatlo antigo, o que foi inventado na Grécia com base na história da busca de Jasão pelo velo de ouro, tem quatro disputas de atletismo e uma luta sem armas: salto em distância, arremesso de disco, lançamento de dardo, pancrácio (misto de luta livre e pugilismo) e corrida. Se um atleta vencesse as três primeiras etapas, não precisaria disputar as duas últimas e já ganharia o título de campeão olímpico. O vencedor do pentatlo era o atleta mais completo. O campeão olímpico era considerado um semideus e estava preparado para qualquer batalha.

Mas os tempos mudaram, e, apesar de continuarmos tendo guerras, a forma de guerrear mudou e muito. Pensando nisso e nas disputas olímpicas antigas, o Barão de Coubertin, fundador dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, propôs a disputa do Pentatlo, inspirado (ou criado, há controvérsias) por militares na Suécia ao final do séc. XIX.

Assim como o Pentatlo grego, o Pentatlo Moderno tem base na história de um heroi para os militares: dizia-se que na Guerra Franco-Prussiana, um tenente de Napoleão Bonaparte deveria levar uma mensagem a uma tropa distante. Começou seu trajeto a cavalo, lutou com inimigos usando espada e arma de fogo, nadou e, por último, correu para chegar ao destino. Nesse esporte, o vencedor é considerado não um semideus, mas um soldado preparado para as guerras modernas.

Assim sendo, o Pentatlo Moderno é composto das seguintes provas:

  • Tiro – Pistola de ar, 10 metros, 20 tiros;
  • Esgrima – Espada, todos contra todos;
  • Natação – 200m livres;
  • Hipismo – percurso de 350 a 450m, 12 a 15 obstáculos, com cavalo cedido pela organização por sorteio;
  • e a decisiva Corrida – 3000m, cross-country. O primeiro colocado geral nas outras provas parte antes do segundo, o segundo parte um tempo antes do terceiro, e, assim, sucessivamente.

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Yane Marques, atual campeã pan-americana de Pentatlo Moderno - Fotos: Agências

O Brasil tem uma campeã pan-americana do Pentatlo Moderno, a atleta nascida em Afogados da Ingazeira, Pernambuco, Yane Marques. Com a medalha de ouro no Pan do Rio em 2007, Yane se classificou para as Olimpíadas de Pequim 2008, competição em que tirou o 18º lugar – as europeias dominaram as primeiras posições.

O Pentatlo Moderno não é muito popular hoje em dia, então, visando tornar o esporte mais atraente ao público, a UIPM (União Internacional de Pentatlo Moderno) decidiu por novas regras. O tiro será combinado com a corrida, a cada 1000m, são dados cinco tiros, totalizando um percurso de 3000m e 15 tiros. Isso encurta a disputa e a torna mais fácil de acompanhar. Mas os atletas não gostaram das mudanças, declarou Yane à Revista Época. “Em todas reuniões que eu fui, ninguém estava aceitando bem essas modificações”.  Segundo Yane, os atletas terão que alterar totalmente seus treinamentos, além de ter dificuldade para transportar as armas.

Mais uma batalha que os atletas do Pentatlo Moderno terão de enfrentar: a adaptação ao século XXI.

Publicado em 27 agosto , 2009 por Juliana Garcia Sales

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