Chico: o moleque e a bola

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Mário Coluna, Chico Buarque e Eusébio.

Em dezembro, falamos aqui sobre o alquimista futebolista, Jorge Ben Jor. Agora, vamos falar de um genial contemporâneo, também futebolista e ícone da MPB, Chico Buarque de Hollanda.

A paixão de Chico pelo futebol é tamanha que fundou um clube de várzea, o Politeama (em grego, muitos espetáculos), cuja sede fica na Avenida Sernambetiba. O torcedor do Fluminense e ídolo dos apreciadores da música brasileira prefere que seus shows e outros compromissos musicais sejam marcados em dias em que não há nenhuma pelada marcada.

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Chico jogando pelo Politeama

Confira aqui Chico cantando o hino do clube e contando que seu clube fora promovido de um time de botão para um time de seres humanos e o jogo do Politeama contra os Veteranos do Santos F.C.

“Ora, quem fez? Lamartine Babo? É claro que fui eu.”

“Politeama, Politeama
O povo clama por você
Politeama, Politeama
Cultiva a fama de não perder”

A música “O Futebol” é um delicioso samba que homenageia quem transformou o esporte bretão em arte, certamente uma arte que o povo entende e reconhece. Apesar de Chico conseguir descrever na música a beleza do futebol, ele foi humilde e afirmou:

“Não sei teorizar sobre o futebol. Gostaria de ter sido jogador, mas não deu, e fui fazer música. O futebol tem que ser vivido, jogado, sentido na pele, e que as palavras não podem descrever a emoção e os sentimentos de uma partida, jogada ou assistida. São momentos de improviso e genialidade que nenhum artista consegue repetir.”

Agora ouça e tire suas conclusões se Chico não consegue criar emoção e sentimento num momento de genialidade:

“Para estufar esse filó
Como eu sonhei

Se eu fosse o Rei
Para tirar efeito igual
Ao jogador
Qual
Compositor
Para aplicar uma firula exata
Que pintor
Para emplacar em que pinacoteca, nega
Pintura mais fundamental
Que um chute a gol
Com precisão
De flecha e folha seca”

Não bastando descrever metaforicamente o que craques como Pelé e Didi faziam em campo – Chico descreve os lances como geniais e impossíveis de serem realizados por pessoas comuns, como podemos ver na estrofe acima – na última estrofe manda uma tabelinha sonora que lembra onomatopeias dos instrumentos do samba:

“(Para Mané para Didi para Mané Mané para Didi para Mané para
Didi para
Pagão para Pelé e Canhoteiro)”

Em “Meu Caro Amigo”, parceria com Francis Hime, Chico mostra a um amigo distante que, apesar de a coisa estar “preta” aqui no Brasil, ainda há muito futebol, samba e rock ‘n’ roll. Sem diversão, fica difícil segurar o rojão, não é?

“Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando e também sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão”

Bem, amigos, acho que o que eu puder escrever sobre Chico é pouco. Mas fica aqui uma amostra de suas palavras e de como essa paixão pelo futebol foi magistralmente expressa. Se seu time um dia ‘jogar por música’, torça para que seja um samba de Chico Buarque.

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Publicado em 12 janeiro , 2010 por Juliana Garcia Sales

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Jorge: a razão da simpatia, do poder, do algo mais e da alegria

“O presente de Jorge Ben Jor são as obras-primas musicais que ouviremos a seguir”

Um dos gênios da música popular brasileira, de tão popular e tão brasileiro, só poderia ser fanático pelo futebol. Jorge Ben Jor também passou pelos gramados, mas seu pai não se agradava dessa escolha. Foi, então ser músico. Continuou não agradando por completo ao pai, mas nos brindou com um repertório belo e divertido de sambas-rock, bossas, suingues e outras misturas inovadoras.

Apaixonado pelo Flamengo, clube pelo qual jogou até a fase juvenil, expressou o sentimento em várias de suas músicas. Como na homenagem ao craque Zico, em “Camisa 10 da Gávea”, do disco África Brasil de 1976.

O Mengo aparece ainda em “Eu vou torcer”, discretamente, em meio a uma grande lista que você pode ouvir aqui.

E claro, na sua música mais conhecida, País Tropical: “Sou Flamengo e tenho uma nega chamada Teresa”. Outra conhecidíssima música em homenagem a um jogador flamenguista é “Fio Maravilha”, que comemora o “gol de placa” marcado por João Batista contra o Benfica de Portugal. Essa música venceu o Festival Internacional da Canção em 1972 e Jorge diz que sempre cantou com esse gol na mente, um gol de placa do qual não há nenhum registro em filme:

Contou também histórias de futebol, não necessariamente rubro-negras, mas cheias de balanço. Como a conhecidíssima “Ponta de lança africano”, ou simplesmente, “Umbabaraúma”, do mesmo disco de “Camisa 10 da Gávea”.

A divertida “Cadê o Penalty”, que mostra as surpresas que a arbitragem reserva ao futebol. A bela e elegante “Zagueiro”, bola pro mato, que o jogo é de campeonato! E uma das mais recentes, “O Nome do Rei é Pelé”.

Jorge reverencia o futebol em muitas outras músicas de seu extenso repertório, com letras populares e, ao mesmo tempo, rebuscadas. Apareceu para nós em tempos de bossa-nova, porém, fazendo alquimias musicais inusitadas e, talvez, dançantes demais para a época. Não à toa, é influência básica dos astros atuais da MPB, e uma figura única, que tornou-se atemporal. Um transmutador que torna o metal em ouro, perene como o amor do brasileiro pelo futebol.

Publicado em 29 dezembro , 2009 por Juliana Garcia Sales

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Rock: som pra se mexer

13 de julho é o dia do Rock ’n’ Roll, e eu, como boa roqueira wannabe, não poderia deixar de prestar minha homenagem.

O Rock é bastante relacionado com o esporte, apesar de estar longe de ser o estilo preferido dos esportistas Brasil afora. Enquanto que na abertura dos programas esportivos de televisão o rock tem seu lugar cativo, quando se pergunta o que os esportistas ouvem rola muito mais sertanejo, pagode, R&B e Rap.

Sabe-se de alguns poucos jogadores de futebol que apreciam o rock, como o ex-goleiro Ronaldo, que tinha sua própria banda: “Ronaldo e os Impedidos”. Na banda estilo rockabilly, Ronaldo encarnava uma espécie de Elvis mal ajambrado, mas com um vozeirão surpreendente. Hoje, ele é comentarista de futebol na Kiss FM, uma rádio especializada em Rock.

Dizem que Rogério Ceni também gosta de rock (Será que é mal de goleiros? :D ) e se arrisca na guitarra. Já o vi tirando um folk de seu violão, e, certa vez, ele declarou que adora Shania Twain, mas que homem não gosta daquela guria, não é mesmo? Certa vez, Ceni declarou ao jornal Lance! gostar das bandas Pink Floyd, Dire Straits e Whitesnake. Um rock que Ceni sem dúvida deve gostar é o da banda Dr. Sin, que fez uma música em sua homenagem: “Número 1” foi composta logo após a conquista do tricampeonato Brasileiro pelo São Paulo em 2008, no qual Ceni teve papel primordial.

É mais fácil encontrarmos roqueiros fãs do futebol que futebolistas fãs do rock. Podemos citar vários, como Nasi, a banda Skank, o Ultraje a Rigor, os Titãs, Engenheiros do Hawaii, Sepultura. E a MTV percebeu isso e juntou uma galera (nem todos roqueiros, mas sua maior parte) pra jogar bola no RockGol. e só podia ser um programa de humor, porque é difícil a bola rolar redonda por ali.

Mais redonda está a barriguinha de quem faz e curte o rock por aí. Até porque rock também combina com uma cervejinha. ;) Mas não há nada que nos impeça de fazer uma corridinha ou andar de bicicleta com rock nos ouvidos. Aliás, não sei se com vocês acontece o mesmo, mas meu ritmo aumenta quando a música é mais pesada.

Esportes que tem tudo a ver com o Rock são os esportes radicais. O beat rápido e as guitarras rascantes remetem à adrenalina do skate, da bike, do rafting, do motocross. O perigo, o risco desses esportes lembram até um pouco das letras de algumas músicas, que flertam com a morte e com a emoção de perder o controle.

Risco, nervosismo e tensão são característica também dos esportes de luta, como o Boxe. Muitos filmes de ação e lutas têm um Rock como trilha sonora.Quem não se lembra de “Eye of the Tiger” do Survivor, a música do Rocky Balboa?

Velocidade, risco, adrenalina. O rock tem tudo a ver com o esporte! Que tal trocar hoje sua cervejinha por uma corridinha?

Extra – Playlist pra correr – só Rock!

  • Rush – Tom Sawyer
  • Nirvana – Smells Like Teen Spirit
  • Deep Purple – Smoke on the Water
  • Queen – We Will Rock You
  • Queen (merece duas) – Bicycle Race
  • Survivor – Eye of the Tiger (pra descer uma mega escadaria)
  • Van Halen – Jump (caberiam várias do Van Halen aqui)
  • Paul McCartney & Wings – Live and Let Die (pode ser a versão do Guns’N’Roses)
  • The Cult – She Sells Sanctuary
  • Midnight Oil – Blue Sky Mine
  • The Clash – London Calling

Pra uma subida difícil

  • Muse – Bliss
  • Pearl Jam – Even Flow

Pra relaxar!

  • Elvis Presley – Suspicious Mind
  • Brian Setzer – Summertime Blues
  • Tommy and the Shondells – Mony Mony

Publicado em 13 julho , 2009 por Juliana Garcia Sales

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