O retorno da Cruz de Malta
O dia 7 de dezembro de 2008 sempre será um marco na história do Club de Regatas Vasco da Gama, o que muitos consideram o dia da maior tragédia da história do clube, deve ser considerado como o dia do recomeço. Neste dia, ao término do Campeonato Brasileiro desse ano, uma derrota por 2 a 0 para o Vitória selou a 18ª. Colocação e consequentemente o não desejado rebaixamento para a série B da competição nacional, pela primeira vez, em todos os 110 anos de existência da agremiação cruzmaltina.
O dia 7 de dezembro de 2008 sempre será um marco na história do Club de Regatas Vasco da Gama, o que muitos consideram o dia da maior tragédia da história do clube, deve ser considerado como o dia do recomeço. Neste dia, ao término do Campeonato Brasileiro desse ano, uma derrota por 2 a 0 para o Vitória selou a 18ª. Colocação e consequentemente o não desejado rebaixamento para a série B da competição nacional, pela primeira vez, em todos os 110 anos de existência da agremiação cruzmaltina.
No ano de 2009 um novo Vasco surgiu e sua torcida foi a grande responsável por essa transformação: força, dedicação e motivação foram ingredientes fundamentais para superar o ano de rebaixamento e juntos conquistar o título da vitória que leva o Vasco ao grupo dos grandes.
Para entender melhor como foi o ano de 2009 para os torcedores do Vasco conversamos com Andressa torcedora apaixonada e Marcelo que sempre acreditou no clube. NetVasco e SuperVasco são sites feitos por torcedores para torcedor e o Leva na Esportiva compartilha com todos os apaixonados por futebol essa grande relação de amor pelo clube.
1. Enfim a Série A, como foi esse torcer esse ano?
Andressa: Sinceramente, há muito tempo eu não torcia para o Vasco desse jeito. Houve uma ligação muito forte entre time e torcida, um apoio imenso. A torcida estava carente de um time vencedor, e esses jogadores nos proporcionaram um ano cheio de vitórias.
Marcelo: Se eu pudesse definir com apenas uma expressão, seria “um turbiljhao de emoções”. “Incerteza” no começo, com mais de um time titular inteiro de contratações, um técnico de quem os vascaínos pouco haviam ouvido falar, a diretoria ainda tateando. Depois, a “alegria” pelas boas atuações no Carioca, onde fomos extremamente prejudicados. Depois, novamente a “incerteza” dos primeiros jogos na Série B: Adversários maus, juízes piores ainda, aquela sequência de empates aumentando ainda mais essa sensação angustiante… Veio o jogo contra a Ponte Preta e o Vasco voltou a subir de produção. Daí para a frente, a palavra foi “ansiedade”. Ô, classificação que não chegava nunca… Depois do jogo contra o Juventude, duas palavras se misturaram: “alegria” e “alívio”. Alegria e alívio de ver que o Vasco havia cumprido sua “obrigação”.
2. Vocês fizeram caravanas para acompanhar o clube pelo Brasil?
Andressa: Não, infelizmente nunca tive a oportunidade de assistir aos jogos do Vasco fora do Rio de Janeiro. Mas nunca fui a tantos jogos como eu fui esse ano, em São Januário e no Maracanã. Ainda tive a felicidade de estar presente nos três jogos mais importantes: da liderança, do acesso à Série A e do título. Ainda ajudei a torcida a quebrar o recorde de público (risos).
Marcelo: Eu, propriamente, não, mas conheço torcedores que saíram de Manaus só para ver o Vascão.
3. Para vocês, qual a participação da torcida nesse acesso à Série A?
Andressa: A torcida foi o principal responsável pela campanha do Vasco na Série B até o acesso à Série A. Compareceu em peso em praticamente todos os jogos, não só no Rio de Janeiro, mas em todo Brasil. Ela pegou mesmo o clube no colo e o levou de volta para onde nunca deveria ter saído. Foi um apoio incondicional.
Marcelo: A torcida foi o décimo segundo jogador o tempo todo. Com um time que ninguém é cego de não ver que ainda precisa de muitos reforços, em muitos momentos o apoio da imensa torcida foi decisivo.
4. Quando Atlético Mineiro e Palmeiras foram para a Série B, houve um aumento considerável de público. Com o Vasco o movimento foi parecido. Explica para nós, como vocês encararam esse movimento? Nas épocas mais sofridas o torcedor tem mais necessidade de empurrar o time?
Andressa: Não é só a necessidade. É claro que ela existe, até porque o time fica abalado, então é preciso dar aquele empurrão, aquela injeção de ânimo. Mas a torcida tem que estar junto em todos os momentos, nos bons e nos maus. E é quando o time está por baixo, desacreditado, que vemos quem realmente se importa com o clube. Quem realmente quer abraçar o projeto e ajudar a dar a volta por cima.
Marcelo: Logo após a queda, eu achei que os estádios fossem ficar órfãos da torcida do Vasco. No fórum VascoOnline, de que participo, houve quem vaticinasse que a união da torcida com o Vasco clube seria fortalecida. Eu torci o nariz e duvidei. Graças a Deus, os fatos envolvendo a nossa torcida provaram que eu estava errado.
5. Apesar do rebaixamento, as mudanças que aconteceram no time foram boas na opinião dos torcedores?
Andressa: Ser rebaixado nunca é bom. É uma coisa que vai ficar marcado para sempre na história do clube. Não sei se as mudanças ocorreriam mesmo se o Vasco não tivesse caído. Mas se foi preciso cair para se levantar mais forte, valeu o sacrifício.
Marcelo: Eu separaria a sua pergunta em duas: No TIME, como já disse lá em cima, ainda há muito que melhorar. O próprio Dorival, o Rodrigo Caetano e o Dinamite sabem disso.
Em relação ao CLUBE, o começo foi péssimo: Contratações equivocadas, colocação de pessoas para as quais não tinham a necessária habilidade para exercer, e vários outros fatores que culminaram com o rebaixamento do time de futebol. Ao longo do tempo, os acertos foram aparecendo. Para mim, os dois verdadeiros “gols de placa” da gestão Dinamite, até agora, foram o Rodrigo Caetano, que mostrou que time de futebol não é para ser gerido como botequim. O amadorismo foi bom na época da construção de São Januário, hoje não cabe mais. O outro foi o Fábio Fernandes, que revitalizou a relação da torcida com o time e, através disso, com o Clube. Quando eu vi que o nome do novo programa seria “O Vasco é meu”, fiquei rindo da precisão cirúrgica com que o bisturi de FF “operou” vaidades e promoveu a “cura” dessa relação, tão fundamental para o Clube. Afinal, como todos sabem “o torcedor é que paga as contas!”
6. Seja o técnico do time e diz para nós quais jogadores seriam interessantes para o Vascão ano que vem?
Andressa: Antes de qualquer contratação, o Vasco precisa manter a base do time de 2009. Manter o técnico Dorival Júnior e alguns jogadores que foram fundamentais como o Fernando Prass, Ramon, Carlos Alberto, Nilton e os garotos da base do clube, Alex Teixeira, Souza, Allan e se possível, o Philippe Coutinho. É difícil citar nomes, mas gosto muito dos jogadores que foram especulados, como o Rafael Carioca, Kléber Pereira e Rafael Sóbis.
Marcelo: Hehehehe. Nessa seara, se você me permite, eu prefiro não entrar. Prefiro destacar um perfil: Gana, tesão, vontade de jogar no Vasco. Aliás, se eu fosse diretor de futebol do Vasco, instituiria um seminário para mostrar aos novos jogadores e comissão técnica que não estão num clube qualquer. Estão no Vasco!!! Quanto à parte técnica, quem já jogou um pouco de bola sabe o mínimo que se espera dos jogadores em cada posição: laterais que saibam cruzar e que tenham fôlego para ir e vir, volantes que sejam duros, mas leais, meias que corram de cabeça sempre levantada, olhando o jogo, atacantes que estejam dispostos a pular de cabeça na chuteira do zagueiro para meter um gol. Acho que é por aí… heheheh
7. Comentou-se que o Dorival Junior teria recusado propostas de outros clubes cariocas para seguir com o Vasco. Ele foi fundamental nessa conquista?
Andressa: Com certeza. O Dorival Júnior é um ótimo treinador, daqueles que assistem a todos os jogos de futebol. Ele tem uma ótima visão do jogo, sabe a hora que precisa mexer no time. Apesar de não ter concordado com ele em algumas escalações (risos). Mas espero que ele continue no Vasco em 2010.
Marcelo: Eu, particularmente, acho que sim. Muitos o acham retranqueiro, covarde, etc. Respeito democraticamente a opinião de quem pensa assim. Cada um com seu direito. Entretanto, como analista de sistemas, prefiro analisar sua atuação pelos números. Embora não conheça os de outros treinadores, arrisco-me a dizer que não existe um com melhores números.
Ah, mas o Vasco só pegou baba na Série B? Talvez, mas cabe lembrar alguns fatos: 1. O Vasco ganhou do Flamengo e do Botafogo no estadual. Empatou com o Fluminense com um a menos em boa parte do jogo e só não foi à final do primeiro turno por problemas extra-campo (caso Jéferson). No segundo turno, fomos goleados pelo Botafogo em um dia em que TUDO deu errado. Mesmo assim, saímos com a melhor campanha do Carioca (dentro de campo).
Na Copa do Brasil batemos o Vitória e só perdemos a classificação para o “todo poderoso” Timão, que mesmo assim, com Ronaldo e tudo, precisou com a ajuda do Sr. Gaciba. Será que um treinador com números tão bons merece ser desprestigiado? O futebol bonito morreu em 82. Quem acha que o São Paulo, por exemplo, joga um futebol bonito? Fui a um jogo no Maracanã onde o Botafogo foi quatro vezes ao ataque e fez quatro a um na gente. Quem olhasse apenas o resultado, diria que o Botafogo deu um baile no Vasco. Quem esteve lá, viu que só deu Vasco o tempo todo. Por isso tudo, com todos os seus erros, acho, sim o Dorival um bom técnico para o Vasco e achei, sim, que ele foi fundamental para a campanha nessa série B.
8. Quem pode ser eleito o grande herói da conquista?
Andressa: Dentro de campo, foi o Carlos Alberto. Fora dele, o Dorival Júnior, toda comissão técnica, o Rodrigo Caetano e o presidente Roberto Dinamite. Todos fizeram um excelente trabalho.
Marcelo: Tenho dois, mas pela regularidade, pela segurança, pela frieza, vou talvez contra a maioria e elejo o Fernando Prass.
9. Vocês acreditam que o Carlos Alberto foi fundamental para essa conquista?
Andressa: No começo do campeonato, quando ele ainda tinha aquele temperamento forte, achei que só traria problemas. Mas graças à Deus me enganei, e ele mudou. Mesmo sendo novo, ele foi o principal jogador do time, incorporou o espírito de líder e capitão dentro e fora de campo.
Marcelo: O Carlos Alberto teve dois momentos distintos nesse campeonato. Um quando era suspenso quase que religiosamente a cada três jogos. Outro que depois colocou a cabeça no lugar e que foi, enfim, o comandante que levou a caravela ao porto seguro da Série A.
10. Para comemorar essa grande vitória a Penalty fez uma camisa em comemoração do título, essas atitudes favorecem e incentivam a torcida ser cada fez mais fiel ao time?
Andressa: Torcedor gosta de novidade. Quanto mais produtos forem lançados, mais ele vai se sentir valorizado. Principalmente uma camisa que enaltece todo esse amor e apoio da torcida do Vasco, com o número 12 e o “Amor Infinito”. Foi uma grande iniciativa da Penalty.
Marcelo: Eu ando procurando essa camisa como um louco aqui em Brasília para comprar e não acho! Não tem como vocês me mandarem uma, não? Hehehe
Falando sério agora, acho que sim. Entendo que toda e qualquer ação que vise trazer de volta a torcida para perto do time (e do clube, por extensão) é bem-vinda. E essa camisa faz, no meu modo de ver, exatamente isso. Para mim, ela vai ser lembrada como o marco de um ano que não queremos ver repetido no sentido esportivo, mas que queremos que seja exatamente igual no sentido da abertura democrática que marcou o ano fora das quatro linhas.
11. A conquista da série B é uma questão de tempo, vocês acham que merece uma estrela sobre o escudo, como forma de eternizar essa conquista ou não?
Andressa: Não, essa conquista vai ser eternizada na memória do torcedor e na sala de troféus do clube. Sem querer desvalorizar a conquista da Série B, que o Vasco conseguiu de forma brilhante, o torcedor não vai querer se lembrar de quando o time foi rebaixado. Mas o título é pra ser comemorado sim, pois simbolizou a reestruturação do Vasco.
Marcelo: Acho que não. Em relação à taça, eu a colocaria em destaque na galeria de troféus do Vasco, com a seguinte inscrição: “Eis uma taça que apesar da alegria em ganhar, não queremos ter o desprazer de disputar novamente.”
12. Quando vocês tiverem filhos (se já não tiverem) e no futuro eles perguntarem à vocês sobre o que aconteceu com o Vasco em 2009. Qual vai ser a resposta de vocês?
Andressa: Vou dizer que em 2009 o Vasco deu a volta por cima. Foi o ano da reestruturação, do despertar de um Gigante. Que não podemos tropeçar, cair e desistir de tudo. Temos que ter força para levantar e seguir em frente ainda mais forte, como tudo na vida.
Marcelo: Eu tenho dois, uma menina de quatro anos que já sabe cantar o hino do Vasco todo e um que tem sete meses só. Quando eles me perguntarem isso, espero poder dizer: “O Gigante levou apenas um tombo, mas se reergueu mais forte.”
13. A torcida do Vasco se mostrou verdadeiramente como levar na esportiva o rebaixamento e o agora o retorno à Série A, nós do Leva na Esportiva parabenizamos todos os torcedores. Mas contem para nós, como foi levar na esportiva esse revés.
Andressa: Até que foi mais fácil do que eu imaginava, muito em função do apoio da torcida do Vasco. Muitos torcedores de outros times reconheceram esse apoio e alguns até parabenizavam, torciam para a volta do Vasco. Mas é claro que não deu para escapar das gozações, mas felizmente os nossos rivais na Série A não estão passando por bons momentos, então conseguimos revidar (risos).
Marcelo: Há um texto do Artur da Távola que diz que “ser Vasco é saborear com humildade o orgulho sadio da vitória merecida, do entusiasmo com motivo e da grandeza como destino”. Acho que o mesmo princípio vale para as derrotas. Aceitá-las com a resignação de quem perdeu porque o futebol é assim mesmo. Mas foi duro aplicar isto no rebaixamento!
Se tivesse acontecido quando eu era moleque, quando ficava literalmente doente se o Vasco perdia, teria arranjado muita briga. Mas mesmo adulto, foi difícil. Na segunda-feira após a queda, recebi a mesma piadinha por email dos amigos umas dez vezes.
Entretanto, procuro tirar de cada experiência vivida o que pode ser aproveitado. E o que pode ser tirado de mais positivo dessa experiência de Série B é que a união da torcida com o clube foi de uma proporção só comparável à construção de São Januário pelas próprias pelas mãos de nossos antepassados vascaínos! Ou, seja, como disse Sérgio Cabral (pai), O Vasco voltou ao seu destino de ser popular sem ser populista!
De qualquer modo, como diz um velho ditado, não há bem que sempre dure, nem mal que sempre perdure. E esse mal passou. Espero que para sempre!
Publicado em 23 novembro , 2009 por Leva na Esportiva
Daniel Dias, o Phelps das Paraolimpíadas

Daniel Dias e sua primeira medalha paraolímpica. Foto: Divulgação
Sabemos que o esporte brasileiro carece de mais incentivo, apoio governamental e privado. E que dirá o esporte paraolímpico, podemos pensar, que mal aparece nos noticiários esportivos?
Pois saiba que, mesmo com pouco apoio, o Brasil já tem um desempenho muito melhor em Paraolimpíadas que nas Olimpíadas tradicionais. Nas Paraolimpíadas de Pequim, em 2008, foram 47 medalhas para o Brasil (sendo 16 de ouro), já a delegação olímpica brasileira conquistou 15 medalhas.
Um atleta que colaborou com esses belos números foi Daniel Dias. Depois de mostrar a que veio no Parapan de 2007 no Rio de Janeiro, conquistou nove medalhas na natação em Pequim 2008 (quatro de ouro, quatro de prata, uma de bronze), mesmo número de Michael Phelps nos jogos tradicionais. Neste dia 7 de setembro de 2009, Daniel desfilou em Brasília comemorando um ano de seu primeiro ouro paraolímpico.
Mesmo tendo começado a nadar em 2005, Daniel já conseguiu chegar ao nível do recordista brasileiro Clodoaldo Silva, o “Tubarão Paraolímpico”, que conquistara sete medalhas nos Jogos Paraolímpicos de Atenas 2004 (seis de ouro).
Daniel Dias nasceu em 1988, com malformação congênita nos braços e na perna direita. Seus pais sempre se esforçaram para que Daniel fosse incluído pela sociedade, como alguém capaz e independente. Daniel sempre estudou em escolas comuns, onde sofreu muito preconceito. Seu pai, Paulo, resolveu levá-lo à ADD (Associação Desportiva para Deficientes), pensando nos benefícios físicos e psicológicos que o esporte traria ao filho.
Depois de aprender todos os estilos na ADD, Daniel passou a frequentar uma academia em Bragança Paulista (SP), cidade próxima a Camanducaia (MG), onde vivia. “Passei dois anos viajando todos os dias para treinar. Frequentava a escola de manhã. Depois, pegava o ônibus na rodoviária. A viagem durava uma hora e meia”, afirmou Daniel à revista Sentidos.
A recompensa pelo esforço veio em forma de vitórias, recordes e medalhas. Conseguiu índice para o Mundial da África do Sul em 2006, onde faturou 3 medalhas de ouro e 2 de prata. No mesmo ano, bateu o recorde mundial dos 200m, durante as disputas do Circuito Loterias Caixa. Nos Jogos Parapanamericanos do Rio, em 2007, veio a consagração: oito ouros em oito provas disputadas.
Em palestra para a Feira Guia do Estudante, Daniel declarou que sua maior conquista foi o prêmio de melhor atleta do mundo, em 2008, uma espécie de Oscar do esporte. “Eu fui o quarto esportista brasileiro a ganhar o prêmio e o primeiro atleta deficiente – os outros ganhadores foram os jogadores de futebol Pelé e Ronaldo e o skatista Bob Burnquist”.
Hoje, Daniel cursa a faculdade de Educação Física USF (Universidade São Francisco). Pretende, no futuro, cursar Engenharia Mecatrônica. Além disso, Daniel é baterista da banda da igreja a que frequenta.
Sobre apoio, Daniel diz que “hoje em dia as coisas estão mais fáceis, por causa dos meus patrocínios, mas antes era bem difícil, eu tinha apenas o apoio do meu pai, que pagava para eu treinar. Agora posso ficar mais tranquilo quanto a isso. O que dificulta mesmo é a falta de divulgação, que acontece mesmo só de quatro em quatro anos.”
Como vemos, Daniel é um exemplo de que os atletas paraolímpicos superam suas deficiências físicas e as deficiências de um sistema que pouco incentiva o atleta amador brasileiro. E é prova de que vale a pena colaborar e tentar mudar o país por meio do esporte.
Publicado em 21 setembro , 2009 por Juliana Garcia Sales
Um pouco da história do design olímpico

Alessandro Bianchi/Reuters
Os Jogos Olímpicos trazem uma emoção semelhante à da Copa do Mundo, nos pegamos em frente à telinha da TV ou do computador para saber tudo sobre as competições e sempre com uma revista ou jornal com guia para não perder nada. Na verdade, os Jogos Olímpicos têm um caráter mais curioso que o da Copa, há sempre aquele esporte sobre o qual não sabemos nada e passamos a prestar atenção. E de repente até escolhemos um esporte preferido.
Daí, quem viaja para ver as Olimpíadas ou mesmo se empolga um pouco mais – as crianças, por exemplo –, quer uma lembrança dessa época. E hoje em dia, entendendo isso, a organização dos jogos inicia uma campanha desde a eleição da cidade-sede, contrata agências e artistas para criar a cara das Olimpíadas.
Assim, já no encerramento de uma edição dos jogos, já são exibidas a logomarca e a mascote da próxima edição. Tudo precisa ser planejado em detalhes para que os Jogos tenham uma imagem marcante e inesquecível.
Apesar de vermos um esforço maior em design nos dias de hoje, com seus respectivos produtos ao consumidor – como vestuário tecnológico para atletas, e suvenires para espectadores – em edições antigas já havia elementos que marcaram visualmente as Olimpíadas.

o ursinho Misha – Moscou 1980
Impossível não se lembrar do ursinho Misha, mascote das Olimpíadas de 1980 em Moscou, que emocionou milhões de espectadores com suas lágrimas no encerramento dos Jogos. Bonecos e lembranças diversas de Misha foram vendidos no mundo todo, sendo a primeira mascote de sucesso comercial, mesmo vindo de um país socialista, a ex-União Soviética. Os Estados Unidos não quiseram ficar para trás em termos de mascote e chamou um desenhista dos estúdios de Walt Disney para conceber a águia Sam, mascote de Los Angeles 1984. Mas a história de Misha e Sam entra num âmbito político mais complicado, Guerra Fria, boicotes de ambas as delegações, e é melhor detalhar noutra ocasião.

A águia Sam – Los Angeles 1984
Mas a primeira mascote da história dos Jogos Olímpicos foi um cão da raça daschund, originária da cidade de Munique (Alemanha), que sediou as Olimpíadas de 1972. O cãozinho se chamava Waldi e tinha um design austero e calculado, como o restante da identidade visual dessa edição dos Jogos. Aliás, os Jogos de Munique foram os primeiros a apresentar uma identidade visual marcante e bem definida. O designer Otl Aicher – um dos fundadores da escola de design de Ulm – criou um sistema visual equilibrado e harmonioso apesar de parecer um tanto “duro” para os dias atuais, prevendo várias aplicações, mantendo uma unidade e sendo universalmente compreensível.

Estamos mais do que acostumados com essas linhas retas. Podemos dizer com segurança que a identidade visual dos Jogos de Munique faz parte da vida de todos, já que os pictogramas criados por Aicher influenciaram diretamente no desenho dos pictogramas de sinalização de trânsito e mobiliário urbano utilizados até hoje. E mesmo os pictogramas de Olimpíadas posteriores são muito semelhantes aos de Aicher, sendo adaptados às novas identidades visuais.
Mesmo inspirados nos pictogramas de Munique, as duas últimas edições capricharam na adaptação, buscando elementos artísticos de sua história. Os pictogramas de Atenas 2004 têm figuras humanas semelhantes às dos vasos da Grécia Antiga. Os pictogramas de Pequim 2008, assim como a logomarca, são baseados em inscrições em ossos e bronze da China antiga.

Pictogramas de Atenas 2004 e detalhe de um vaso grego antigo

Pictogramas de Pequim 2008 e sua inspiração
Hoje, as medalhas e tochas olímpicas também seguem o padrão definido pela identidade visual do evento. Mas as medalhas, em seu anverso, devem sempre ter o design instituído pelo COI: um desenho da deusa alada da vitória na Arena Panathinaikos – um estádio grego.


A deusa da vitória no estádio
A Tocha Olímpica de Pequim além de mostrar um design dentro de sua unidade – é um pergaminho com nuvens desenhadas, um elemento milenar da cultura chinesa – foi concebida com valores sustentáveis – Olimpíadas Verdes – e alta tecnologia, reciclável e pouco poluente.

A tocha de Pequim
Veja aqui todas as tochas olímpicas.
O design olímpico mostra como o esporte tem impacto direto na vida das pessoas. E o que podemos ver é um esforço cada vez maior para levar uma experiência inesquecível a todos os corações que amam o esporte.
Publicado em 24 agosto , 2009 por Juliana Garcia Sales
Ode às lágrimas

Cielo chora após vencer prova dos 50 m
Imagem: Petr David Josek/AP Photo
César Cielo, nosso grande velocista das piscinas, foi o destaque do Mundial de Esportes Aquáticos que aconteceu em Roma. Mas foi o destaque principal da competição, não só o destaque brasileiro. Pudera, bateu o recorde mundial dos 100 metros livres, a prova mais valorizada das competições de natação. Agora ele está no panteão de raros atletas brasileiros que podem ser considerados ídolos mundiais.
Mas não é sobre recordes de natação que falarei aqui, mas sim, de algo que Cielo leva aos brasileiros: o direito de chorar copiosamente após uma grande conquista. Cielo treina duro, precisa ser forte como uma rocha e leve como uma folha sobre a água. Aguenta a dor da pancada, a que se dá num ritual antes das provas, e a do ácido lático explodindo em seu sangue.
Após esse caminho, a vitória. E junto, o choro soluçado. A visão da bandeira, o som do hino, o brilho da medalha, tudo isso leva muitos brasileiros a chorarem junto. Mas a lição que fica é que após uma grande vitória, todos temos o direito de desabar em emoção. Pois nada nesse mundo tirará isso de nós, o sabor (às vezes amargo) do caminho, e o resultado do trabalho bem feito. Você não precisa ficar nessa armadura que a vida impõe. A vitória é sua.
A vitória é o prêmio do trabalho duro e humilde o suficiente para entender que sempre há algo a melhorar, e também é o prêmio de quem manteve o foco na hora certa e se manteve firme até o final. “Os três anos que passei nos Estados Unidos me preparando, longe da família, valeram a pena. Agradeço aos meus técnicos, minha família, meus patrocinadores”, disse Cielo ao canal Sportv. Bateu no peito, prendeu a respiração e no, momento que precisou, fez valer esses anos de preparação. “Sou um nadador muito louco. E emotivo. Acho que essa é a definição”.
Chora, Cielo, que a vitória é sua. Chorar tira o peso. E viver leve é levar a vida na esportiva.
Veja também:
Cielo fala sobre limites, resultados e dá um abraço emocionado no pai (vídeo)
Cielo dá ao Brasil seu melhor resultado da história em Mundiais
Publicado em 12 agosto , 2009 por Juliana Garcia Sales
- Que bom que gostou da nova camisa do vasco @jeanlmoraes, pode ganhar ingresso pra ver a estréia dela de perto http://migre.me/118hE
- Se quiser presentear alguém pode tentar ganhar outros aqui http://migre.me/118hE RT @leonardogomez Ingresso para Vasco e Flamengo na mao!!!!
- RT @viniciusmateusl: parabens ao clube e a Penalty pela nova camisa do Vasco. Que ela dê sorte ao time contra o Flamengo domingo! valeu!











