Um pouco da história do design olímpico

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Alessandro Bianchi/Reuters

Os Jogos Olímpicos trazem uma emoção semelhante à da Copa do Mundo, nos pegamos em frente à telinha da TV ou do computador para saber tudo sobre as competições e sempre com uma revista ou jornal com guia para não perder nada. Na verdade, os Jogos Olímpicos têm um caráter mais curioso que o da Copa, há sempre aquele esporte sobre o qual não sabemos nada e passamos a prestar atenção. E de repente até escolhemos um esporte preferido.

Daí, quem viaja para ver as Olimpíadas ou mesmo se empolga um pouco mais – as crianças, por exemplo –, quer uma lembrança dessa época. E hoje em dia, entendendo isso, a organização dos jogos inicia uma campanha desde a eleição da cidade-sede, contrata agências e artistas para criar a cara das Olimpíadas.

Assim, já no encerramento de uma edição dos jogos, já são exibidas a logomarca e a mascote da próxima edição. Tudo precisa ser planejado em detalhes para que os Jogos tenham uma imagem marcante e inesquecível.

Apesar de vermos um esforço maior em design nos dias de hoje, com seus respectivos produtos ao consumidor – como vestuário tecnológico para atletas, e suvenires para espectadores – em edições antigas já havia elementos que marcaram visualmente as Olimpíadas.

misha

o ursinho Misha – Moscou 1980

Impossível não se lembrar do ursinho Misha, mascote das Olimpíadas de 1980 em Moscou, que emocionou milhões de espectadores com suas lágrimas no encerramento dos Jogos. Bonecos e lembranças diversas de Misha foram vendidos no mundo todo, sendo a primeira mascote de sucesso comercial, mesmo vindo de um país socialista, a ex-União Soviética. Os Estados Unidos não quiseram ficar para trás em termos de mascote e chamou um desenhista dos estúdios de Walt Disney para conceber a águia Sam, mascote de Los Angeles 1984. Mas a história de Misha e Sam entra num âmbito político mais complicado, Guerra Fria, boicotes de ambas as delegações, e é melhor detalhar noutra ocasião.

1984 - sam

A águia Sam – Los Angeles 1984

Mas a primeira mascote da história dos Jogos Olímpicos foi um cão da raça daschund, originária da cidade de Munique (Alemanha), que sediou as Olimpíadas de 1972. O cãozinho se chamava Waldi e tinha um design austero e calculado, como o restante da identidade visual dessa edição dos Jogos. Aliás, os Jogos de Munique foram os primeiros a apresentar uma identidade visual marcante e bem definida. O designer Otl Aicher – um dos fundadores da escola de design de Ulm – criou um sistema visual equilibrado e harmonioso apesar de parecer um tanto “duro” para os dias atuais, prevendo várias aplicações, mantendo uma unidade e sendo universalmente compreensível.

munich

Estamos mais do que acostumados com essas linhas retas. Podemos dizer com segurança que a identidade visual dos Jogos de Munique faz parte da vida de todos, já que os pictogramas criados por Aicher influenciaram diretamente no desenho dos pictogramas de sinalização de trânsito e mobiliário urbano utilizados até hoje. E mesmo os pictogramas de Olimpíadas posteriores são muito semelhantes aos de Aicher, sendo adaptados às novas identidades visuais.

Mesmo inspirados nos pictogramas de Munique, as duas últimas edições capricharam na adaptação, buscando elementos artísticos de sua história. Os pictogramas de Atenas 2004 têm figuras humanas semelhantes às dos vasos da Grécia Antiga. Os pictogramas de Pequim 2008, assim como a logomarca, são baseados em inscrições em ossos e bronze da China antiga.

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Pictogramas de Atenas 2004 e detalhe de um vaso grego antigo

picpequim

Pictogramas de Pequim 2008 e sua inspiração

Hoje, as medalhas e tochas olímpicas também seguem o padrão definido pela identidade visual do evento. Mas as medalhas, em seu anverso, devem sempre ter o design instituído pelo COI: um desenho da deusa alada da vitória na Arena Panathinaikos – um estádio grego.

anverso

A deusa da vitória no estádio

A Tocha Olímpica de Pequim além de mostrar um design dentro de sua unidade – é um pergaminho com nuvens desenhadas, um elemento milenar da cultura chinesa – foi concebida com valores sustentáveis – Olimpíadas Verdes – e alta tecnologia, reciclável e pouco poluente.

tocha

A tocha de Pequim

Veja aqui todas as tochas olímpicas.

O design olímpico mostra como o esporte tem impacto direto na vida das pessoas. E o que podemos ver é um esforço cada vez maior para levar uma experiência inesquecível a todos os corações que amam o esporte.

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Publicado em 24 agosto , 2009 por Juliana Garcia Sales

Por Bola 8 ganha prêmio iF Design | Leva na Esportiva - Entrevistas, podcasts e diversão., em 9 dezembro 10:38

[...] planejado e testado para trazer conforto e uma aparência moderna às nossas vidas. Como comento aqui, o design melhora a comunicação, a unidade e a funcionalidade dos objetos. Design é projeto, [...]

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