Natação
Daniel Dias, o Phelps das Paraolimpíadas

Daniel Dias e sua primeira medalha paraolímpica. Foto: Divulgação
Sabemos que o esporte brasileiro carece de mais incentivo, apoio governamental e privado. E que dirá o esporte paraolímpico, podemos pensar, que mal aparece nos noticiários esportivos?
Pois saiba que, mesmo com pouco apoio, o Brasil já tem um desempenho muito melhor em Paraolimpíadas que nas Olimpíadas tradicionais. Nas Paraolimpíadas de Pequim, em 2008, foram 47 medalhas para o Brasil (sendo 16 de ouro), já a delegação olímpica brasileira conquistou 15 medalhas.
Um atleta que colaborou com esses belos números foi Daniel Dias. Depois de mostrar a que veio no Parapan de 2007 no Rio de Janeiro, conquistou nove medalhas na natação em Pequim 2008 (quatro de ouro, quatro de prata, uma de bronze), mesmo número de Michael Phelps nos jogos tradicionais. Neste dia 7 de setembro de 2009, Daniel desfilou em Brasília comemorando um ano de seu primeiro ouro paraolímpico.
Mesmo tendo começado a nadar em 2005, Daniel já conseguiu chegar ao nível do recordista brasileiro Clodoaldo Silva, o “Tubarão Paraolímpico”, que conquistara sete medalhas nos Jogos Paraolímpicos de Atenas 2004 (seis de ouro).
Daniel Dias nasceu em 1988, com malformação congênita nos braços e na perna direita. Seus pais sempre se esforçaram para que Daniel fosse incluído pela sociedade, como alguém capaz e independente. Daniel sempre estudou em escolas comuns, onde sofreu muito preconceito. Seu pai, Paulo, resolveu levá-lo à ADD (Associação Desportiva para Deficientes), pensando nos benefícios físicos e psicológicos que o esporte traria ao filho.
Depois de aprender todos os estilos na ADD, Daniel passou a frequentar uma academia em Bragança Paulista (SP), cidade próxima a Camanducaia (MG), onde vivia. “Passei dois anos viajando todos os dias para treinar. Frequentava a escola de manhã. Depois, pegava o ônibus na rodoviária. A viagem durava uma hora e meia”, afirmou Daniel à revista Sentidos.
A recompensa pelo esforço veio em forma de vitórias, recordes e medalhas. Conseguiu índice para o Mundial da África do Sul em 2006, onde faturou 3 medalhas de ouro e 2 de prata. No mesmo ano, bateu o recorde mundial dos 200m, durante as disputas do Circuito Loterias Caixa. Nos Jogos Parapanamericanos do Rio, em 2007, veio a consagração: oito ouros em oito provas disputadas.
Em palestra para a Feira Guia do Estudante, Daniel declarou que sua maior conquista foi o prêmio de melhor atleta do mundo, em 2008, uma espécie de Oscar do esporte. “Eu fui o quarto esportista brasileiro a ganhar o prêmio e o primeiro atleta deficiente – os outros ganhadores foram os jogadores de futebol Pelé e Ronaldo e o skatista Bob Burnquist”.
Hoje, Daniel cursa a faculdade de Educação Física USF (Universidade São Francisco). Pretende, no futuro, cursar Engenharia Mecatrônica. Além disso, Daniel é baterista da banda da igreja a que frequenta.
Sobre apoio, Daniel diz que “hoje em dia as coisas estão mais fáceis, por causa dos meus patrocínios, mas antes era bem difícil, eu tinha apenas o apoio do meu pai, que pagava para eu treinar. Agora posso ficar mais tranquilo quanto a isso. O que dificulta mesmo é a falta de divulgação, que acontece mesmo só de quatro em quatro anos.”
Como vemos, Daniel é um exemplo de que os atletas paraolímpicos superam suas deficiências físicas e as deficiências de um sistema que pouco incentiva o atleta amador brasileiro. E é prova de que vale a pena colaborar e tentar mudar o país por meio do esporte.
Publicado em 21 setembro , 2009 por Juliana Garcia Sales
Ode às lágrimas

Cielo chora após vencer prova dos 50 m
Imagem: Petr David Josek/AP Photo
César Cielo, nosso grande velocista das piscinas, foi o destaque do Mundial de Esportes Aquáticos que aconteceu em Roma. Mas foi o destaque principal da competição, não só o destaque brasileiro. Pudera, bateu o recorde mundial dos 100 metros livres, a prova mais valorizada das competições de natação. Agora ele está no panteão de raros atletas brasileiros que podem ser considerados ídolos mundiais.
Mas não é sobre recordes de natação que falarei aqui, mas sim, de algo que Cielo leva aos brasileiros: o direito de chorar copiosamente após uma grande conquista. Cielo treina duro, precisa ser forte como uma rocha e leve como uma folha sobre a água. Aguenta a dor da pancada, a que se dá num ritual antes das provas, e a do ácido lático explodindo em seu sangue.
Após esse caminho, a vitória. E junto, o choro soluçado. A visão da bandeira, o som do hino, o brilho da medalha, tudo isso leva muitos brasileiros a chorarem junto. Mas a lição que fica é que após uma grande vitória, todos temos o direito de desabar em emoção. Pois nada nesse mundo tirará isso de nós, o sabor (às vezes amargo) do caminho, e o resultado do trabalho bem feito. Você não precisa ficar nessa armadura que a vida impõe. A vitória é sua.
A vitória é o prêmio do trabalho duro e humilde o suficiente para entender que sempre há algo a melhorar, e também é o prêmio de quem manteve o foco na hora certa e se manteve firme até o final. “Os três anos que passei nos Estados Unidos me preparando, longe da família, valeram a pena. Agradeço aos meus técnicos, minha família, meus patrocinadores”, disse Cielo ao canal Sportv. Bateu no peito, prendeu a respiração e no, momento que precisou, fez valer esses anos de preparação. “Sou um nadador muito louco. E emotivo. Acho que essa é a definição”.
Chora, Cielo, que a vitória é sua. Chorar tira o peso. E viver leve é levar a vida na esportiva.
Veja também:
Cielo fala sobre limites, resultados e dá um abraço emocionado no pai (vídeo)
Cielo dá ao Brasil seu melhor resultado da história em Mundiais
Publicado em 12 agosto , 2009 por Juliana Garcia Sales
Esporte de pai para filho: valores para a vida

Imagem: Arquivo Pessoal
A natação faz parte da vida de Vandré Moraes
Esporte é algo que passa de pai para filho, não é? Estamos perto do dia dos pais e hoje trago a vocês um depoimento de uma pessoa como você, leitor, que trabalha, estuda, namora, enfim, tem uma vida normal. E que tem esporte na veia, graças a seus pais, que o incentivaram a praticá-lo.
Vandré Moraes é um jovem de Porto Alegre (RS) que mantém uma vida saudável, mesmo com a correria de seu trabalho numa grande empresa em S. José dos Campos (SP).
Desde criança, Vandré pratica natação, esporte que pretende levar para o resto da vida. Mas também foi levado pelos pais a praticar vários esportes, como vôlei, basquete, handebol, futebol, para que tivesse liberdade para escolher o esporte que mais gostasse. Vandré ficou com a natação e com o futebol.
“O esporte tornou meu filho disciplinado, tenho orgulho dele”, diz Carlos Moraes, pai de Vandré. “Estava sempre presente nas competições para incentivá-lo”.
“Passei pela peneira do Inter e joguei lá por pouco tempo, mas para ser jogador, teria que ficar no clube em tempo integral. Meu pai me fez sair, porque eu tinha que continuar estudando”, diz Vandré, mostrando uma criação responsável de seu pai Carlos, que queria que o esporte acompanhasse os estudos de seu filho, de uma forma equilibrada. “Passei também no teste do Grêmio, mas o esquema era o mesmo, teria que treinar durante o dia todo”, afirma Vandré. “Depois passei num clube chamado Roma, era para eu ir jogar um campeonato na Argentina, mas meu pai não deixou. Eu até fiquei ‘brabo’ na época, mas hoje, vejo que ele fez o certo”.
Vandré disse também que seu pai sempre o levou aos estádios para acompanhar o futebol gaúcho, mas que não o influenciou na escolha do time do coração. “Meu pai sempre foi neutro, deixou que eu escolhesse o time que eu quisesse. Na verdade, ele até me ensinou a torcer pelos times mais fracos” disse, rindo.
Mas, se Vandré teve que deixar o futebol, nunca abandonou as piscinas. A natação era um esporte que poderia ser levado junto com os estudos. O sucesso veio pelo clube Stillo e outros clubes menores.
“Hoje sou resistente, dificilmente fico doente, porque a natação pode até não te deixar com uma barriga tanquinho como a musculação, mas te traz uma energia muito grande, a força é interna. Além disso, a disciplina vira algo natural, ‘tu’ acorda na hora certa, chega na hora certa para o treino”, diz Vandré.
O Sr. Carlos declarou que o esporte traz valores para as demais áreas da vida, pois quem o pratica tem disciplina, responsabilidade, evita contato com coisas pouco saudáveis, como drogas. Além disso, “O esporte ensina o respeito ao próximo. E quem pratica esporte, faz tudo com mais elegância”, afirma Carlos. “Era isso que meu pai queria quando me incentivou a praticar esportes: que eu não fosse ‘descoordenado’”, diz Vandré, em meio a risos.

Imagem: Juliana Garcia Sales
Vandré, seu pai e sua mãe.
Sem dúvida, o esporte é responsável por grande parte do sucesso atual de Vandré, na vida profissional e pessoal. Mesmo longe da cidade natal, Vandré mantém o amor e os valores familiares. Podemos ter certeza que o Sr. Carlos fez um bom trabalho na criação de seu filho.
Trago esse depoimento (que a mim, foi emocionante) como homenagem a todos os pais, que tentam levar o melhor para seus filhos. Os pais que ensinam as coisas boas da vida, como o esporte, a amizade, o companheirismo. Os pais que ensinam seus filhos a voar.
*A divulgação dos nomes e fotos foi autorizada pelos entrevistados.
Publicado em 9 agosto , 2009 por Juliana Garcia Sales
- E pra quem gosta de #surf tem um post muito legal sobre a brilhante carreira de @carlosburle http://migre.me/ntXI
- Em breve vamos fazer um concurso e o prêmio será a camisa 11 do América do RJ autografada por Bebeto e Romério, Vejam http://migre.me/mFP1
- Sua empresa incentiva a pratica do esporte? Veja casos de empresas que apóiam os funcionários a praticarem esportes http://migre.me/ndPj










